domingo, 7 de fevereiro de 2016



Nossa vida é um absurdo no mundo

No fundo

Só temos um quarto escuro de nós mesmos.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016



Amo à beira-mar
Sou das beiradas
Beiro aos poucos
Não sou do centro
Sou de abraçar

Sou marginal ao amor
Mas o beiro
Igual beiro o mar.

quarta-feira, 12 de março de 2014

A noite é pobre e a vida é a miséria que ressurge dos becos
Dos bêbados, das bêbadas
Deles e delas
Das pedras atiradas na calçada
Dos tombos, do escoro, dos encostos
A noite são de todos e de todas
Que voltam para algum buraco
Para dentro de algum casaco ou de algum saco
sujo de vômito, sujo de besteiras e de baboseiras
Faladas, escarradas
Aliás, qual é seu saco?
De que ralo você vem?
A noite foi feita para alguém que tem o que chorar
O que mentir, o que contar
Alguém para lembrar
Ninguém para abraçar
A não ser bêbados, e bêbadas
Na noite ninguém é santo, mas todo mundo reza
Se você fuma terá companhia
Se não fuma, tenha um isqueiro se quiser companhia
Aliás, acompanhados todos continuam sozinhos, solitários

Em uma cidade nem sempre os esgotos são iguais, mas é certo
Certo que quando amanhece, todos seguem para o mesmo rio
Até os que estão fora do esgoto
Você está?
Se está, você também fede
Mesmo se não anda pela noite
Junto dos bêbados e das bêbadas
Dos salafrários e das ordinárias
Dos que riem alto, das que dão gargalhada

Das que dançam sozinhas com um copo entre os seios
Lembrando de algum rato
Que não está mais no mesmo mato
Que mato sem coelho,
Cheio de urubus

Dos que nem se lembram a que horas chegou
Nem que horas tem de ir
E se droga para esquecer
E esquece para se drogar
A noite é o eterno esquecimento de si mesmo
Pois ''dela'' nunca se esquece

Algumas caronas, alguns contatos
Todo mundo é fraco
Nunca aceite um casaco
De bêbados, nem de bêbadas
Eles nunca vem sozinhos
Talvez um abraço e algum amaço
Não aceite o casaco
Não de noite
A noite é pobre e fria
O casaco é apenas uma simpatia
Noutra manhã terá de devolver
E para o beco terá de voltar

A noite é uma bela porcaria
Que me consome, que te consumiu
Está consumado
Em nossos olhos molhados,
Nos copos sujos, nos pulmões impuros
Nos dentes amarelados
Em nosso riso frágil
Em nossas mãos trêmulas
Em nossas pernas bambas,
em nossas vistas turvas
Na cirrose de cada dia
No infarto, na neurose
Nos sentimentos em eterna meiose

Quis dizer de noite
Dessa noite,
Tão diferente e igual, a tantas outras noites
Noites vagabundas, insalubres
Vadias, nauseantes, ofegantes
Gostosas e viciantes
A qual eu quero pertencer e me deixar convencer
De que as noites malditas trás em si,
O que os dias claros escurecestes em mim.

sábado, 14 de setembro de 2013



Vou para dentro do meu quarto e fecho a porta, está tudo escuro

Não reflito na parede, pois as cortinas estão juntas por dias

Me deito e desejo com súplica que a cama me abrace

Me acalme,

Mas a angústia que perpetua o amargo em meus lábios me preenche de frieza

Quero me esconder, quero me preservar de tudo o que deixei lá fora
Quão assombroso pode ser a luz do dia?
Quero me encolher na tentativa inútil de ser esquecida,
Mas o que deixei do lado de fora parece me engolir

Não existir, é uma tentativa
Mas após segundos com a palma da mão me certifico de que ainda estou ali
Como um objeto que não compõe o próprio espaço que ocupa
Como um fio de cabelo voando por aí

Viro-me para o canto, numa tentativa inválida de não ver a fresta da porta
Mas é por ela que escorrega tudo o que não consegui resolver, escapar, esquecer
Deslizo-me para os pés da cama e rezo para que o mito torne-se real
Procuro dormir.

Quando entrei no quarto tentei superar
Me forcei às lágrimas que não caíram
Mas somente escrevi.

Quando abraço o mar, viro braço de mar
Quando olho para o céu, sou continuação.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

segunda-feira, 15 de abril de 2013



Tristeza e alegria: dois pesos diferentes em uma peça de dominó

Esse esquema é tão verdadeiro

Que percebemos o quanto nossos sentimentos estão em jogo.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Insônia

Insônias são dessintonias
De todas minhas rimas
Noite que não acalma
Nem silencia palavras refugiadas  no dia-adia
Insônia é vida mortis na madrugada
Do dia em que não conseguiu viver
Insônia é busca das noites perdidas
Do dia em que esteve dormindo
Insônias são compensações
Dos dias na escuridão
Insônias são noites em claro
Somente na mancha trêmula e sombria
É possível ver alguma luz
Insônia é o fim do túnel
E a chegada ao ápice da sobriedade
Insônias são meus recantos
Meus quatro cantos do mundo
Insônia não é batalha
Insônia é sinfonia
De minhas insônias sou maestrina
E toda insônia tem sua bailarina
Uma poetisa
Insônia é feita de sonhos
Que se apaga com o pesadelo do dia
Insônia ás vezes é barriga com fome
Cheias de mentes pensantes
E uma memória fraca de como foi o dia
Já o dia, o dia trás mentes vazias
O dia, a maioria deles são feitos de sol
E digo-lhes: o sol só faz sentido de noite!
Porque de dia ele queima
Na insônia o sol brilha
Insônia tem alma
A insônia não cala
Insônias não dão bom dia
Insônias me são bem vindas!
Na insônia não há mentiras
Insônia é fantasia
Insônias permitem