sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Quando é dia falamos bom dia,
Quando é tarde falamos boa tarde,
Quando é noite falamos boa noite ,
E para a madrugada?
O temos para ela?

Uma lâmpada acesa
Um cigarro
Tintilar de copos
Trôpegos noturnos
Um poema
Alguma pena
Lembranças que valham a pena

Nunca guardamos nada para ela
Esta é a hora de desligar
Os dias, as tardes, as noites
Madrugada é relento
Um infeliz contentamento
É perda, é ganho
De horas, de sono

Madrugada é fogo
Desprazer no prazer
De loucuras varridas
Desprendidas do corpo
Um muro alto
Uma janela aberta
Portas entreabertas

De tudo não sei
Mas sei de madrugadas
Quando as luzes se apagam
E a alma reacende
Tudo o que o dia apagou
Madrugada é esquecimento
É abandono de ''desconpanhias''

Entra sem avisar
Vai sem despedir-se
Morre em minhas mãos
E talvez por isso para a madrugada não existe saudação.