sábado, 14 de setembro de 2013



Vou para dentro do meu quarto e fecho a porta, está tudo escuro

Não reflito na parede, pois as cortinas estão juntas por dias

Me deito e desejo com súplica que a cama me abrace

Me acalme,

Mas a angústia que perpetua o amargo em meus lábios me preenche de frieza

Quero me esconder, quero me preservar de tudo o que deixei lá fora
Quão assombroso pode ser a luz do dia?
Quero me encolher na tentativa inútil de ser esquecida,
Mas o que deixei do lado de fora parece me engolir

Não existir, é uma tentativa
Mas após segundos com a palma da mão me certifico de que ainda estou ali
Como um objeto que não compõe o próprio espaço que ocupa
Como um fio de cabelo voando por aí

Viro-me para o canto, numa tentativa inválida de não ver a fresta da porta
Mas é por ela que escorrega tudo o que não consegui resolver, escapar, esquecer
Deslizo-me para os pés da cama e rezo para que o mito torne-se real
Procuro dormir.

Quando entrei no quarto tentei superar
Me forcei às lágrimas que não caíram
Mas somente escrevi.

Quando abraço o mar, viro braço de mar
Quando olho para o céu, sou continuação.

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