sábado, 28 de outubro de 2017

Dedal-de-dama
Trepadeira muito vigorosa, com variável tonalidades de flores, sempre tutorada com arames muito firmes, pois apresenta ramos fortes e pesados.
Das flores que o outono levam ao chão, adaptável em regiões do sol nascente ao poente, leste a oeste, semi-lenhosa. Cabe num enfeite, mas sabe que nasceu para riscar muros, cravar arbustos. Vai na vida criando rumos. Não requer muitos cuidados, quer o mundo. Sendo este o outro lado do muro. Recria-se. Espalha-se com facilidade. Selvagem e resistente, como tinha de ser. Cuidado!!! As Alamandas são tóxicas.
Estive falando de flores, com a morte delas em minhas mãos. Estive falando de mim. Estive falando com flores. Profecias florais. Em minhas mãos paradoxais há muitos erros. Muitos e muitas erram do mesmo, eu não tenho medo de errar. Confesso o que não deixo escapar. Doravante, entre os vãos de meus dedos a liberto agora e já. Por covardia ou por coragem, eu sei lá!
#instaflower #flower

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

A vida é um pulo
Um salto no escuro
Ao meio raso
O asfalto, profundo
Um soco, uma faca
Na boca do estômago
O âmago do amargo


O doce espremido
De um gemido
Germinando espirros
Escassos suspiros
De açucares e polvilho
Um grito de alívio
Um silêncio de dor


domingo, 1 de outubro de 2017

Nós lobas

Rafaela Hernandes

Nós lobas, não tememos a selvageria
Eis que nela, (re)criamos nossa própria (re)significação enquanto nossa essência.
Só tem medo do que é selvagem, e por assim dizer, natural, a criatura quase castrada, amordaçada, retirada aos cativeiros mais cruéis dos homens.
Nós lobas, somos selvagens por natureza e (re)existimos. No breu das noites de lua cheia. No ciclo sagrado dos nossos corpos. Nos períodos férteis e lúteo. Na proteção da nossa alcatéia. Na caçada voraz. Em nosso desejo edaz. Nas matas mais gélidas. Nos solos mais tórridos. Em nossos olhos vermelhos explode altivez. E em nossos úteros rebentam a vida.
A nós lobas ser selvagem é vital. Desse modo, não há outra forma de ser em nosso íntimo.
A selvageria que me és visceral, que me percorre e deságua em minhas entranhas é feito cálice, é cura.
E não há um dia abaixo deste céu, ou acima desta terra que eu não a sentisse.